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A recuperação hoteleira já começou? Saiba em 8 oportunidades e desafios

“A RECUPERAÇÃO HOTELEIRA NO BRASIL JÁ COMEÇOU?

Por Pedro Cypriano, managing partner da HotelInvest

Depois da publicação do estudo “Recuperação da hotelaria urbana no Brasil”, em parceria com a Omnibees, a STR e o FOHB, divulgado no Portal PANROTAS, a HotelInvest discutiu os resultados da pesquisa com mais de 200 executivos, de aproximadamente 30 organizações, entre redes hoteleiras, investidores e incorporadoras. As trocas de percepções de mercado foram muito ricas e acredito ser relevante dividir publicamente algumas das principais reflexões.

Entre os executivos consultados, algo parece predominante: a recuperação do setor hoteleiro está em curso, mas ainda não para todos. Entendamos como isso se reflete nos diferentes perfis de ativos, regiões e estratégias de investimento.

1 –Em destinos regionais, a ocupação dos hotéis chega a 35%
A tendência de início de recuperação por destinos regionais está se concretizando. Entre os hotéis assessorados pela HotelInvest e os administrados pelos executivos consultados, a ocupação neste perfil de cidade varia entre 25% e 35%.

2 –Na hotelaria regional de lazer, a demanda reprimida é maior
Enquanto as empresas são mais cautelosas na volta das viagens (a trabalho), a propensão de consumo turístico a lazer pelas famílias parece mais imediata. Após a reabertura dos hotéis em Gramado (RS), rapidamente as ocupações bateram 50% nos dias de pico. Em outros destinos próximos a centros urbanos, a procura aos finais de semana chegam próxima ao limite dos apartamentos disponibilizados para venda. A resposta do mercado para esse perfil de destino tem sido positiva, mas ainda é preciso ter cautela. Muitos hotéis continuam fechados e outros, em regiões dependentes de acesso aéreo, os resultados não são tão animadores até o momento.

3 –Expectativa de início de crescimento das viagens corporativas até setembro
A ocupação dos hotéis urbanos segue baixa, mas as equipes comerciais continuam trabalhando bastante. E as consultas às empresas key accounts sinalizam a intensão de retomada das viagens até setembro. Esperemos em breve ver com mais clareza o crescimento das ocupações também dos hotéis urbanos no Brasil. E para isso, é importante que vejamos uma tendência imediata de queda do número de novos casos e de mortes pela covid-19 no País.

Room office da Accor
Room office da Accor

4 – Aumento de casos da covid retarda a recuperação da hotelaria em curto prazo
Até julho, as ocupações da hotelaria urbana continuam baixas, em especial as das grandes cidades. As empresas estão retomando os trabalhos e as intenções de viagem. O principal entrave é a insegurança sanitária. As curvas de contágio precisam cair, e em todo o País. Enquanto isso não acontecer, os resultados de desempenho dos hotéis estarão mais próximos ao do cenário conservador do estudo de Recuperação da Hotelaria Urbana, ao menos em curto prazo.

5 – Setor evita guerras de preço, mas o risco de quedas tarifárias ainda existe
Executivos de médias e grandes redes do setor têm evitado entrar em guerras tarifárias, pois isso retardaria ainda mais o horizonte de recuperação dos hotéis. Porém, em cidades e empresas menores, a visão de curto prazo ainda pode pressionar os preços para baixo. Até o momento, seguimos em um bom caminho, com quedas próximas a 10%.

6 – Prejuízo acumulado deve ser compensado entre o final de 2020 e o início de 2021
Análises de fluxo de caixa realizadas pela área de Asset Management da HotelInvest, sob a liderança da Thais Perfeito, indicam que os hotéis econômicos devem compensar os prejuízos acumulados em 2020 até o final do ano. E empreendimentos midmarket apenas no primeiro trimestre de 2021. As análises assumem as premissas de top line do cenário moderado do estudo de Recuperação da Hotelaria Urbana.

7 –Investidores seguem cautelosos, mas continuam avaliando novos negócios no setor
As oportunidades de investimento em hotelaria continuam. Dos hotéis em desenvolvimento, apesar dos cronogramas revistos, a maioria segue em estruturação. Dos novos investimentos, a cautela é um pouco maior e são mais restritos. Enquanto o ritmo de recuperação não for claro, é natural que parte dos investidores permaneça em compasso de espera e tenha uma percepção de risco maior no momento.

8 – Em médio prazo, confiança na recuperação do setor é alta
As medidas de readequação operacional estão em implantação e, gradativamente, acredita-se na recuperação da hotelaria nacional. O risco de substituição parcial das viagens por reuniões virtuais, apesar de existir, parece ser menor em comparação com as oportunidades de crescimento de demanda potencial em longo prazo. O Brasil ainda é um país em desenvolvimento e a crise atual pode acelerar a aprovação de reformas que permitiriam um ambiente econômico mais favorável. Esta é a aposta de investidores que estão estruturando novos hotéis, para abertura em um momento mais positivo e diante de um setor que naturalmente “envelhecerá” em razão da utilização dos fundos de reserva e do caixa apertado em curto prazo.

Fonte: https://www.panrotas.com.br/hotelaria/mercado/2020/07/a-recuperacao-hoteleira-comecou-descubra-em-8-oportunidades-e-desafios_175254.html

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